O acesso ao universo íntimo da casa era restrito aos familiares, com exceções para poucos amigos, o que tornava a entrada nessa área um privilégio. As casas do século XIX costumavam ser pensadas não pelo olhar do morador, mas do visitante. Por isso, as áreas com decoração mais exuberante eram as sociais, já que aqueles eram os únicos cômodos a que as visitas teriam acesso. Esse hábito explica a simplicidade dos quartos, visto que precisavam conter apenas o essencial para o cotidiano de seu dono.

Através de um extenso corredor, podemos ver um Quarto conjugado com Quarto de Vestir (ou Quarto de Banhar); um Quarto menor, e uma Biblioteca, que abriga obras raras da literatura nacional e internacional. A documentação não permite definir com exatidão a quem pertencia cada um dos quartos. Supõe-se que o primeiro deles, por ser maior, teria sido o quarto do casal. O segundo, pela proximidade do quarto dos pais, teria pertencido às filhas, Eufrásia e Francisca Bernardina.

No quarto maior, temos:

Por Sylvana Lobo

  • Acima da cama, vemos representada uma passagem bíblica: a Ceia em Emaús. A cena desenrola-se numa modesta casa em Emmaus, onde se encontram os peregrinos. Mostra o instante no qual Jesus abençoa a refeição. Embora esteja no centro da ação e seja alvo da atenção e espanto dos três pescadores, Jesus não surge aparentando ser uma divindade, mas sim um conselheiro. A tela data do séc ulo XIX.
  • Sobre a penteadeira, está um oratório de Nossa Senhora da Glória. Ao lado, está um pequeno objeto oval utilizado com o porta-terço. Ele é feito em madrepérola e metal doutorado. Na parte superior há um medalhão com uma imagem do Arco do Triunfo.
  • O tapete de veludo próximo à porta foi feito na Alemanha e data de 1922.

Quarto Maior – Por Douglas Montes

No quarto menor destacam-se:

  • A cama dessa habitação, que foi feita no Brasil na segunda metade do século XIX. Em estilo Império, o móvel se destaca pelos arremates laterais em forma de cabeça de cisne.
  • Neste cômodo está um quadro em pastel de Eufrásia Teixeira Leite. Nele, se vê a personagem aos 18 anos, portando um grande leque, vestido negro decotado e o que aparenta ser um corte de cabelo “a la garçonne”, ou seja, bem curto.
  • Muitas outras imagens adornam o quarto. São elas: “A Virgem nas ruínas”, século XIX, de C. J. Predier, segundo gravura de Rafael; “Imaculada Conceição”, feita na França na segunda metade do século XIX, por E. Massard, segundo pintura de Murillo; e “A Sagrada Família”, feita na França no século XIX, por M. F. Dian, segundo pintura de Rafael.

E, finalmente, na biblioteca temos:

  • Cerca de mil livros e três mil periódicos em vários idiomas.
  • Quadro de Francisco José Teixeira, o primeiro barão de Itambé (1780-1866), minerador e nobre brasileiro. Casou em 1802 com Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro (1781-1864). Desse casamento tiveram onze filhos, conhecidos como os irmãos Teixeira Leite, uma das mais conhecidas e influentes famílias do sul fluminense no século XIX. Foram pais, dentre muitos outros, do Barão de Vassouras e do antigo dono da Casa da Hera, Joaquim José Teixeira Leite.
  • Quadro de Francisca Bernardina do Sacramento Leite Ribeiro (1781-1864), baronesa de Itambé, filha do Sargento-Mor José Leite Ribeiro e de Escolástica Maria de Jesus Correia e irmã do Barão de Ayuruoca, Custódio Ferreira Leite.
  • Vitrola da marca Victor, uma das marcas mais importantes fabricantes desses aparelhos no século XX.

Biblioteca – Por Douglas Montes

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